segunda-feira, 1 de abril de 2013

A ironia dos estudos


Somos confrontados, frequentemente, com estudos sobre matérias que visam atingir objetivos ou reforçar argumentos pouco consistentes. Um exemplo é o estudo que uma consultora fez, a pedido do Governo, sobre os vencimentos do setor público e privado.

Sabemos bem os montantes dos vencimentos dos polícias e os governantes têm informação atualizada, até porque esta matéria tem sido alvo de debate. Num passado recente, políticos que fazem hoje parte dos partidos do Governo insurgiram-se contra a vergonha dos baixos salários de quem tem uma profissão de grande responsabilidade. E se olharmos às comparações com o privado, os polícias ficam aquém de uma aproximação dos salários praticados no setor, apesar de não conhecer nenhuma empresa privada com uma missão comparável à da Polícia, nomeadamente na responsabilidade, risco, desgaste rápido ou turnos. Percebemos que o Governo pretendia, com este estudo, legitimar mais cortes nos vencimentos dos polícias. Ainda sabemos distinguir a mentira da verdade.
Por: Paulo Rodrigues (Presidente da ASPP/PSP)

sexta-feira, 29 de março de 2013

Seminário SCOPE – Stress na Polícia

O Laboratório de Reabilitação Psicossocial vai promover o Seminário SCOPE – Stress na Polícia, a decorrer na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, dia 19 de Abril de tarde, conforme
programa em anexo.

O projecto SCOPE é financiado pela Comissão Europeia através de uma bolsa Marie Curie gerida pela Pof. Doutora Mariana Kaiseler.

Este seminário tem entrada grátis e certificado de presença.

Prof. Cristina Queirós, Prof. Mariana Kaiseler e Prof. António Marques



Cumpram a lei


Ontem, o MAI voltou a insistir no não pagamento dos retroativos aos profissionais decorrentes do incumprimento da lei que são devidos desde 2010 a 2013.

Este incumprimento por parte do Governo significa uma redução do vencimento dos polícias durante dois anos, acumulados com todas as outras reduções impostas aos portugueses. A administração colocou os profissionais dos outros setores públicos nas novas tabelas, de acordo com a lei, em 2010. Já com os polícias agiu de forma diferente. Por erro ou razões políticas, a lei não foi cumprida, pelo que estes profissionais acabaram por ficar com um prejuízo remuneratório mensal considerável. Este prejuízo deve ser imputado à administração.
É nesse sentido que a ASPP/PSP vai interpor uma ação em tribunal e exigir que se faça justiça, com o pagamento dos retroativos devidos e a colocação correta de todos os polícias nas tabelas. Nesse sentido, apelo a todos os polícias que, nos próximos tempos, e através de ações que possam ser levadas a cabo, sejam capazes de demonstrar às entidades responsáveis a nossa união e coesão na luta pela defesa dos nossos direitos.
Por: Paulo Rodrigues, Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia


domingo, 17 de março de 2013

Fim da linha


Já percebemos que o Governo e a troica preparam-se, de novo, para cortar ainda mais nos direitos e remunerações dos portugueses.

Claro que não está nos horizontes destas entidades tentar perceber os prejuízos que as medidas restritivas que têm sido impostas – e se forem agravadas num futuro próximo – irão trazer aos trabalhadores, e muito menos os efeitos dramáticos que trarão ao serviço público.
No que diz respeito à administração interna, atacar os direitos dos polícias é atacar a qualidade da segurança. O Governo não pode publicitar que Portugal é um dos países mais seguros da Europa só com base na dedicação e carolice dos polícias. Essa predisposição não durará eternamente. Nem os polícias admitirão mais cortes nos seus vencimentos, nem admitirão mais cortes nos seus já limitados direitos. Até porque o Estado ainda tem uma dívida, que não deixaremos de exigir, que diz respeito aos retroativos da colocação na tabela remuneratória, de acordo com a Lei, que deveria ter ocorrido em 2010. Estas são algumas das razões que nos levam a participar na manifestação dos trabalhadores da Administração Pública, no próximo dia 15 de março.
Por:Paulo Rodrigues, Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia

sábado, 2 de março de 2013

Não desviar atenções


O MAI garantiu que vai alterar a lei para obrigar os clubes a requisitar policiamento nos jogos de futebol. A decisão vem ao encontro da nossa expectativa e repõe a segurança. É estranho que após os acontecimentos em Guimarães, o responsável do clube culpe a polícia pelo sucedido.

O dirigente menosprezou a segurança dos adeptos quando decidiu, pela 2ª vez, não requisitar policiamento, e, numa tentativa de esconder a irresponsabilidade, atira as culpas para os polícias, com especulações infundadas. É evidente que a PSP não pode, em prejuízo da segurança pública e do erário público, realizar policiamentos gratuitamente. Exigimos que a alteração à lei garanta que aos polícias sejam aplicadas as tabelas de remunerados em vigor, inclusive aos profissionais que estão afetos à UEP. Infelizmente, a Polícia tem servido como bode expiatório para explicar o inexplicável. Esperemos que hoje, na manifestação onde se combatem as políticas do governo e onde muitos polícias estarão porque se identificam com a luta, não tentem utilizar o trabalho da polícia para desviar as atenções do significado desta ação.
Por:Paulo Rodrigues, Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Braço de ferro


Os protestos que, nos últimos dias, acompanham os membros do governo assumiram contornos de assunto nacional, quando Ministros foram impedidos de falar em público.

Seguiram-se outros protestos e talvez por isso esta situação devesse, em vez de ser desvalorizada, ser devidamente analisada para reorientar algumas decisões políticas.
No meio desta espécie de braço de ferro, estão os Polícias, mais uma vez, numa missão ingrata e de grande responsabilidade.
Importa esclarecer que os polícias têm como missão assegurar a integridade de qualquer cidadão e, também, dos membros de um governo que foi eleito em liberdade. Esta é uma missão que terão de cumprir, mas ela não deverá nunca ser confundida com as decisões de quem está no Governo. Até porque os polícias têm sido tão prejudicados como qualquer cidadão. E também, apesar desta exigente missão, os polícias continuarão a contestar as decisões políticas e estarão na rua sempre que assim o entendam. A defesa dos direitos não deverá comprometer a missão nem limitar a defesa intransigente da dignidade dos polícias.

Por:Paulo Rodrigues, Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Exemplo a seguir


Surgiram notícias sobre elementos da PSP que terão sido demitidos por não reunirem condições para exercer funções na instituição. Alguns comentadores apressaram-se a dar ênfase à situação pelo lado mais negativo, mas mal, pondo de parte o bom trabalho de todos os outros polícias.

São casos pontuais, e algumas das situações prendem-se com elementos que já não estão na PSP ou estão aposentados. Falamos de uma Polícia que se confronta pontualmente com situações negativas, mas que tem sabido tratar de forma exemplar estas situações. Não podemos esquecer que a PSP é uma polícia uniformizada e que, no decorrer da sua missão, está exposta a todos os olhares e que muitas vezes o escrutínio da sua atuação é feito por quem a polícia incomoda. Em bom rigor, a PSP e o seu efetivo só têm de se orgulhar do exemplo de transparência que têm dado à sociedade. Tomara ao País que as atividades e pormenores da gestão interna das instituições do Estado, inclusive algumas organizações políticas, fossem tão divulgadas, comentadas e transparentes como tem acontecido com a PSP.



Por:Paulo Rodrigues, Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia

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